• Diogo Nery

Fazer a limpa no instagram e pausa nas redes. Tendência cresce em 2019.

Atualizado: 7 de jun. de 2019







A internet já ultrapassou seus 20 aninhos de idade. Uma jovem marota curtindo as descobertas desse mundo louco. Papai Tim Berners-Lee deve estar orgulhoso ou talvez nem tanto. Saiba mais aqui. Nesse caso podemos agradecer ao Facebook e o seu jeitinho especial na distribuição da querida desinformação acima do nível suportável para seres humano sem que algumas eleições sejam desestruturadas por aí. Isso sem falar no whatsapp, mas vamos deixar o verdinho quieto no canto dele por enquanto.


O que importa agora é que desde que essas pequenas ogivas implodiram, nunca se falou tanto sobre saúde mental como se fala nesse momento. Inclusive foi um dos pontos mais discutidos na Web Summit 2018 e na SXSW 2019. Criadores e burnout andam cada vez mais colados nas jornadas de trabalho. Fato! Mas além desse ponto de vista, talvez valha a pena ultrapassar a bolha da criação de conteúdo e se atentar a um novo momento.


Então puxa seu banquinho e senta aqui do meu lado, porque a atenção de hoje é para o recente termo detox digital, a nova onda do influenciador (no sentido bom da coisa), aderida por criadores de conteúdo preocupados com a responsabilidade social que eles herdaram com o aumento de seus engajamentos.


Não sei se você já tá sabendo, mas esse movimento anda rodando aí pelas internet e vem gerando seguidores. Ou melhor dizendo, deseguidores! E é muito simples. Vamos começar com o azulão. O Facebook.


Uma quantidade considerável de usuários vem deixando esse barco por alguns motivos mais óbvios que 2 + 2. Principalmente no quesito desinformação e privacidade. Mas é importante perceber também uma sensação pairando no ar sobre dar uma pausa ou até sair da rede. Alguns arriscam falam... "tenho vontade, mas meus contatos de trabalho estão lá". É perceptível que o excesso de informação na rede vem deixando muita gente esgotada mentalmente, chuvas de notícias capazes de te deprimir graças ao círculo sem fim do algoritmo, sem contar claro, as discussões sedutoras e inesgotáveis. E que vença o melhor! Tudo isso não passa de uma leve degustação de algumas das reações negativas geradas pela rede social em muita gente por aí. Tem até mentor do Markinho dizendo que a casa anda meio tóxica. Saiba mais aqui.


Graças a esse mar em fúria, é muito possível que você tenha esbarrado com alguns influenciadores levantando a bandeira do "faça uma limpa nas suas redes e siga o que te faz bem". A própria influenciadora Danielle Noce, umas das mais conhecidas entre as tags estilo de vida, receita, viagens, vlogs e umas curtições diferentonas de vez em quando, informou em sua conta particular que todo ano faz uma limpa pra manter a saúde mental, focando em seguir apenas o que faria bem a ela. A ideia foi tão forte que até campanha no stories perguntando aos seguidores se já fizeram a limpa esse ano rolou por lá.


Isso nos leva a segunda casa da família zuckerberg. O Instagram hoje é considerado uma das redes mais tóxicas ao usuário e a coisa anda tão séria que a plataforma, preocupada e escaldada com as confusões que o irmão mais velho Facebook vem se metendo, logo tratou de desenvolver uma rede de apoio para quem anda sofrendo alguns reflexos negativos por conta de umas contas seguidas e claro, melhorar a própria imagem entre os navegantes.


Pra entender como funciona, basta digitar #ansiedade na busca do aplicativo que logo em seu resultado surgirá uma mensagem de apoio alertando que algumas buscas por tags podem incentivar comportamentos tóxicos ao usuário e em alguns casos até mesmo levar a morte.




Se você está passando por uma situação difícil, gostaríamos de ajudar - diz o sistema de apoio.


Ao solicitar apoio, você é endereçado a uma página do help.instagram.com que te apresenta algumas opções de ajuda com o transtorno gerado. Convenhamos que é uma iniciativa pequena diante de alguns prejuízos que a plataforma de uma certa maneira colabora, mas vamos dizer que é melhor do que nada.


Mas pode haver algum feixe de salvação nessa história toda. Com a influência da tecnologia cada vez maior sobre as emoções e comportamento das pessoas, um estudo encomendado pela Ford indica que ainda em 2019 deve aumentar o número de pessoas buscando por um equilíbrio entre a vida digital e realidade. De acordo com a pesquisa realizada em 14 países, o Relatório de Tendências da Ford aponta os sete principais focos de mudança.



1) A divisão da tecnologia Mais do que nunca, a tecnologia tem um profundo impacto em como nos conectamos e vemos o mundo. Mas existe uma divisão entre as pessoas que têm acesso à tecnologia e acreditam que é uma força do bem e as que não têm acesso.


2) Desintoxicação digital Embora não abram mão de seus aparelhos digitais, cada vez mais pessoas estão conscientes e alarmadas com a dependência desses aparelhos e buscam meios de controlar o tempo que gastam on-line.


3) Recuperando o controle Em um mundo que, para muitos, parece estar fora de controle, os consumidores estão buscando maneiras de recuperar o poder sobre suas vidas.


4) As muitas faces do eu As mídias sociais desempenham um papel importante na vida dos consumidores e muitos assumem várias personas – desde quem são na vida real a como se retratam on-line – o que acaba impactando no que compram, usam e dirigem, bem como suas escolhas de tecnologia.


5) O trabalho da vida O modo como encaramos o trabalho mudou e muitas pessoas no mundo agora trabalham para viver, em vez de viver para trabalhar. Por isso, muitas empresas estão inovando a oferta de benefícios, como licenças e oportunidades de enriquecimento intelectual.


6) Eco-momentum Mudar hábitos arraigados é difícil, mas a maioria dos consumidores concorda que o progresso ambiental depende de mudanças no comportamento humano.


7) Caminho fácil Mobilidade, hoje, não é simplesmente ir do ponto A ao B, mas o que fazemos com o nosso tempo no meio do caminho. Os americanos gastam mais tempo dentro do carro do que em férias, por isso a capacidade de realizar tarefas durante o caminho pode mudar a experiência de viagem.



Bom, parece que Dani Noce sabe das coisas e só nos resta aguardar pra ver quantos amigos virtuais vamos perder nessa gincana da busca pelo mundo real. Mas uma verdade eu digo, sou heavy user de redes sociais e hoje também venho tentando lidar bem com a minha rotina, com exceção do Facebook que só não saio porque tenho uns contatos de trabalho por lá. Mas apesar de ser criador de conteúdo e até certo ponto depender das redes sociais como meio de distribuição, eu também acredito que é necessário dosar a carga de informação consumida. Talvez esse seja o ponto que me faz acreditar tanto que uma das profissões que serão cada vez mais buscadas é a de curador de conteúdo. Afinal de contas, o que são as Newsletters tão usadas e oferecidas por criadores (principalmente podcasters), esse seus conteúdo e versões estendidas para assinantes, não é mesmo?


Por enquanto, só nos resta uma coisa. Esperar o próximo capítulo desse stories.




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